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SP/04/agosto/2017

Governo de SP avança em reorganização da Sabesp

 

JORNAL VALOR ECONÔMICO - Por Victória Mantoan e Fernando Torres | De São Paulo

O governo de São Paulo deu mais um passo para a reorganização societária da Sabesp e analistas já estimam que a operação poderia levantar até R$ 9 bilhões com a entrada de novos sócios, considerando o preço atual da ação - não se sabe quanto ficaria no bolso do Estado e quanto viraria aumento de capital na Sabesp.

A conta foi feita pelo Bradesco BBI em relatório divulgado ontem a investidores, depois que o governo publicou o projeto de lei para a criação de uma nova empresa, uma sociedade por ações com papéis ordinários e preferenciais, para exercer o controle sobre a estatal de saneamento paulista. O documento foi enviado à Assembleia Legislativa.

Os R$ 9 bilhões levam em consideração a quantidade de ações que o governo de São Paulo pode vender ou em quanto pode ser diluída, sem abrir mão do controle da Sabesp, dado o modelo proposto. É a combinação da estrutura de controle em cascata com a existência de ações sem direito a voto que permitirá que o Estado exerça o controle indireto da Sabesp mesmo que passe a ter apenas 12,5% do interesse econômico.

Isso ocorrerá se o Estado tiver 50% das ações ordinárias mais uma dessa holding - equivalentes a 25% do capital total dela -, que por sua vez tenha 50% mais uma das ações da Sabesp. Atualmente, o Estado tem 50,26% do capital total e votante da Sabesp, que só possui ações com direito a voto. O valor de mercado da empresa é de R$ 23 bilhões.

Um dos pontos incluídos no projeto é justamente a possibilidade de venda de ações do governo, desde que mantido o controle indireto sobre a empresa.

Apesar de o governo ainda não ter informado exatamente como deseja conduzir a operação, o Bradesco acredita que o principal objetivo será venda de ações e não injeção de capital na Sabesp.

O BTG Pactual também destacou em relatório que a metodologia de cálculo de tarifa aplicada hoje para a Sabesp leva em conta a necessidade de investimentos futuros e que a empresa ainda conta com um balanço confortável. Isso, a princípio, afastaria a necessidade de capital novo na empresa.

No entanto, além de ter como objeto exercer o controle da Sabesp, a nova holding poderá, segundo o projeto, explorar outras oportunidades de negócios, mesmo fora de São Paulo, relacionadas com o setor de saneamento.

O Estado passaria sua participação direta na Sabesp para essa nova empresa e o projeto de lei deixa claro que tanto a holding quanto a Sabesp poderiam adquirir outras empresas estatais ou privadas "que tenham sinergias potenciais com as atividades da Sabesp".

Neste caso, de compra de ativos, um analista lembra que a empresa não poderia contar o modelo de remuneração de tarifa - daí a operação passaria a fazer mais sentido para além do levantamento de recursos para o governo.

O modelo da nova estrutura societária já havia sido tornado público, com a ideia de atração de sócios minoritários para a nova holding. O projeto agora traz alguns detalhes e menciona, por exemplo, que esses sócios poderão ser privados ou estatais, "de qualquer esfera de governo", o que abriria espaço para participação do BNDES, que está envolvido no processo de privatização de empresas do setor, entre elas a Cedae.

análiseda semana

Trecho inicial dessa edição do Análise da Semana

 

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