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SP/14/julho/2017

Penúria fiscal empurra empreiteiras para obras privadas, aponta CBIC

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Jorge, da COP: condições de financiamento precisam ser readequadas no país

 

Por Fernanda Pires | De São Paulo para o Valor Econômico

Diante da penúria fiscal que secou o mercado de obras públicas, 90% de um universo de 50 empresas de construção de infraestrutura que tradicionalmente só atuavam nesse nicho têm buscado oportunidades em outros negócios, revelou pesquisa inédita da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). As áreas mais procuradas são obras privadas em projetos de concessões e Parcerias Público-Privada (PPPs), energia, incorporações e mineração.

Porém, questões como financiamento e o tamanho do projeto ainda deixam de fora as empresas de médio ou pequeno porte.

São três os principais desafios identificados: as próprias empresas se preparem para disputar esse novo nicho; capacidade técnica da administração pública, sobretudo municípios, para desenvolver projetos; e financiamento. "A financiabilidade no Brasil infelizmente se baseia em grandes projetos para grandes empresas", diz o presidente da Comissão de Obras Públicas (COP) da CBIC, Carlos Eduardo Lima Jorge.

A maioria das 50 entrevistadas é composta por empresas médias, com faturamento anual entre R$ 90 milhões e R$ 200 milhões (70%). Outros 20% são pequenas empresas, com faturamento de até R$ 90 milhões, e 10% são companhias de grande porte, com receita superior a R$ 200 milhões.

Ao mesmo tempo, a CBIC identificou avanços internos de gestão. Todas as 50 empresas responderam que têm melhorado as práticas de governança.

"Sabemos da dificuldade do governo em fomentar o crescimento de obras públicas devido à falta de dinheiro, por isso temos procurado outros mercados. Mas a mudança tem muitos desafios. Digamos que a gente mudou a chave mas ainda não ligou a luz", diz o diretor-presidente da construtora Augusto Velloso, Ricardo Velloso, referindo-se às barreiras de empresas médias disputarem oportunidades para prestar serviços de obras em concessões e PPPs. A construtora atua até como operadora de concessão - é sócia da empresa CSJ, responsável pelo serviço de tratamento de esgoto de Jundiaí (SP). Mas 80% do faturamento de R$ 150 milhões ainda vem de contratos de obras públicas.

"As condições de financiamento precisam ser readequadas à nova realidade do Brasil. O gabarito para obtenção de financiamento do BNDES e da Caixa ainda está muito preso a grandes projetos e grandes a empresas", sustenta Jorge. Geralmente, diz, a avaliação é feita em cima do balanço da empresa em vez de o foco ser no projeto. "Isso era para um outro modelo. Hoje as empresas médias têm condição de balanço muito ruim, é necessário ter uma política para inserir médias empresas, o que implica mudanças de garantias", acrescenta.

Na pesquisa, 80% das entrevistadas responderam que têm valores em atraso para receber da administração pública referentes a obras em andamento. Para 40%, o que mais tem prejudicado a empresa é a queda do investimento público, seguida pelo "comportamento predatório nas licitações" (com 30%); condições de financiamento (25%); e outras (5%).

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Trecho inicial dessa edição do Análise da Semana

 

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